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Local: Varanda em Pernambuco

terça-feira, março 13, 2007

O corsário francês


Este quadro comprei-o na praia, aqui em frente, no domingo, lógico. Tomava eu um caldinho de mariscos quando aparece um senhor carregando esta obra de arte.

Fiquei maravilhado. Tinha a precisão de uma foto e ao mesmo tempo uma textura dos impressionistas.

Chamei o pintor que se apresentou como Zé de Antônio, natural de Goiana, mata norte de Pernambuco. Disse ser autodidata em pintura e ter se inspirado numa lenda que corre por aqui.

Narrou a seguinte história, num só fôlego:

“Duarte Coelho, Cavaleiro da Casa Real Portuguesa, fidalgo e militar brilhante, tornou-se o primeiro donatário a receber uma capitania no Brasil.

Em 10 de março de 1534 tornou-se senhor de Pernambuco que batizou de Nova Lusitânia. Seu lote, com 360 quilômetros de largura, iniciava-se abaixo da ilha de Itamaracá estendendo-se até a foz do rio S. Francisco, atual fronteira entre Alagoas e Sergipe.

No verão de 1535, depois de fundar a vila de Iguaraçu, instalou-se no topo de uma colina, onde hoje se ergue Olinda, sede da capitania. Beneficiou-se do rico solo de massapê da região, e ali estabeleceu alguns dos primeiros engenhos de açúcar do Brasil.

Mas enfrentava seus contratempos. Sua capitania era freqüentemente saqueada por traficantes portugueses e franceses que percorriam a costa em bergantins contrabandeando escravos e pau-brasil.

Diz a lenda que um destes franceses foi um dos sobreviventes do grupo que estava com o bispo Sardinha na nau Nossa Senhora da Ajuda que naufragou no Pontal do Coruripe a menos de 50 quilômetros da aprazível praia do Francês, em Alagoas.

Os náufragos foram cercados por guerreiros Caeté que se ofereceram para guia-los até Pernambuco, a 250 quilômetros dali. A marcha deve ter começado em 16 de junho de 1556.

Algumas horas depois, no momento em que o grupo atravessava a barra de S. Miguel, próxima à hoje famosa praia do Gunga, a uns 30 quilômetros ao sul de Maceió, os Caeté atacaram e o resultado todos sabemos: comeram o bispo e mais alguns bravos portugueses.

Salvou-se nosso corsário francês que, sabe-se lá como, aboletado num resto do casco da nau N. S. da Ajuda bateu na praia de Piedade, em Pernambuco, algumas semanas depois.

Pois foi nele, meu amigo, que me inspirei.”

Mais fascinado ainda, agora, com a história, insisti para que me contasse onde aprendera aquelas pinceladas tão reais e ao mesmo tempo tão impressionistas.

Respondeu-me: “amigo, vi e gostei de um pintor francês chamado Monet. Busquei imitar sua textura. Por isso me chamo Zé de Antônio, mas me assino Danton!”

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Fedoca, maravilha. Jurava que era uma foto. Que bom que ainda podemos nos surpreender com pessoas como Danton.

10:50 AM  

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