Meusditos

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Nome: meusditos
Local: Varanda em Pernambuco

Terça-feira, Julho 14, 2009

Os zumbis do enrocamento.

Nesta madrugada lembrei-me do Paulo Maluf quando governador do estado de São Paulo. Não, não foi um pesadelo foi somente uma lembrança.

Paulista que sou durante bom período da minha vida passava todos os fins de semana e boa parte das férias de verão em Guarujá, litoral do estado.

Antigamente para se chegar de carro a ilha de Guarujá atravessava-se a cidade de Santos até a Ponta da Praia pegava-se uma balsa e desembarcava-se em Guarujá. Mais tarde construíram a estrada da Piaçaguera que rodeava Santos e através de pontes chegava-se lá.

Quando governador, sempre que a estrada precisava de manutenção ou mesmo obra de duplicação, o Maluf, para mostrar trabalho, iniciava as obras no pico da temporada. Causava bons congestionamentos, mas dava tempo dos cidadãos “apreciarem” suas placas de “mais uma obra do governo Maluf”. Naquele tempo ainda era permitida essa propaganda com o nome do político.

Dei essa volta porque hoje de madrugada lá pela 1 hora os trabalhadores que estão fazendo o tal enrocamento da praia de Piedade começaram seus trabalhos e foram até as 3,30 horas. Precisavam aproveitar a maré vazia, como se algumas horas fizessem muita diferença na empreitada.

Ficou-me a impressão que os zumbis do enrocamento, assim como o Maluf, estavam mesmo é querendo mostrar trabalho. Infelizmente, à custa de nossos sonhos!

Segunda-feira, Julho 13, 2009

O "Brasil sarney"!

O "Brasil sarney", é o país entediado, preguiçoso, voraz e que não cria riqueza só onera o Tesouro Nacional. É o país das mamatas, vantagens, mordomias, chantagens e que somente busca sua própria e rica sobrevivência.

É o país de um executivo não só leniente como promotor da corrupção da troca de favores políticos. É o país de funcionários privilegiados que recebem muito além do que produzem em total dissintonia com o Brasil real.

Alguns fatos: de janeiro até hoje a queda de 4,5 pontos percentuais da taxa básica de juros Selic vai gerar uma economia de R$ 40 bilhões para o governo em 12 meses com o pagamento da dívida pública.

Que bom, dirá você, finalmente teremos dinheiro para investimentos em infraestrutura e tocar o tal do PAC que não sai do lugar!

Enganou-se. 80% desse valor, ou seja, R$ 32 bilhões vão para os aumentos de salários concedidos pelo governo que serão pagos de 2009 a 2012.

Esse aumento de salários não é o único a pressionar as despesas correntes do governo. Na impossibilidade de se dar aumento por falta de prazo pela Lei de Diretrizes Orçamentárias o governo não se constrange e, criativo que é para esses assuntos, cria um Bônus Especial de Desempenho Institucional para os funcionários do DNIT.

Se aprovado pelo Congresso, será pago até julho do ano que vem um abono para 2.947 servidores ativos do DNIT, que sairá das verbas de custeio do governo. Os tais bônus variam de R$ 6 mil e poucos a R$ 49 mil e picos.

Mas no "Brasil sarney" o legislativo é o mais criativo em gerar despesas para o povo. Entre as milhares de propostas para aumentar os custos existe até uma, acredite, que cria uma indenização a todos os descendentes de escravos no valor de R$ 200 mil per capita totalizando a quimera de R$ 13 trilhões, cinco vezes o PIB do Brasil!

O Judiciário não poderia ficar atrás nessa festança. Corre emenda constitucional para restabelecer o pagamento de qüinqüênios para juízes e procuradores a um custo estimado de R$ 13 bilhões. Não devemos subestimar o resto do funcionalismo que já pressiona para ter o mesmo direito.

Para pagar essas farras com o dinheiro público o "Brasil sarney" elevou a carga tributária de 27% do PIB em 1995 para 35,8% em 2008.

Não podemos esquecer o custo do Senado, por exemplo, com 81 senadores e 10 mil funcionários, de 2,8 bilhões por ano, ou seja, R$ 35 milhões ao ano por cada um dos 81 senadores.

Para terminar cito Arminio Fraga em entrevista que deu ao jornal Valor: “Sim há descontrole nos gastos públicos. Não é um descontrole explosivo ano a ano, mas como é via de mão única para cima, o que se vê com o passar dos anos é assustador. Tem que parar.”

Talvez por essa herança maldita anunciada é que o Serra não confirme sua candidatura a presidente. Melhor, talvez, que a bomba relógio caia no colo de outrem!

*Texto baseado na coluna de Claudia Safatle no jornal Valor de 10 de julho.

Sábado, Julho 11, 2009

Hoje no Brasil até a pizza é uma fraude!

Caio Pompeu de Toledo foi meu contemporâneo no colegial ou na universidade, não me lembro bem.

Fomos também companheiros de chope num bar na Alameda Santos, se não me engano.

O que tenho certeza é que o uso das expressões “não me lembro e se não me engano” cresce exponencialmente com a idade. Mas não importa.

O fato é que o Caio, em 1985, quando secretário de turismo da cidade de São Paulo criou o Dia da Pizza, o 10 de julho.

Por motivo simples: a importância do mercado para a economia da cidade. Hoje São Paulo tem quase 6 mil pizzarias com um faturamento em 2008 de R$ 5 bilhões! Representa a venda de 370 milhões de pizzas no ano. Só perde, em quantidade, para Nova York. Em qualidade é a melhor.

Hoje a pizza também representa o fim de todas as investigações das maracutaias e fraudes dos políticos. É famosa a expressão que “tudo terminou em pizza”.

Ontem, 10 de julho, lendo nota no jornal me deu vontade de comer uma redonda. Uma tal pizzaria Atlântico anda em campanha por sua pizza e entrega em domicílio. Liguei e pedi uma brotinho portuguesa.

A foto acima ilustra o que recebi. Ao contrário dos políticos que fraudam e depois viram pizza, a do Atlântico entrega e a pizza vira fraude.

Chamar isto da foto de pizza portuguesa é uma grande farsa. Presunto e ovos ralados, milho, ervilha, “che cazzo” é isso? Nem na azeitona acertaram: verdes ao invés de pretas.

É a mesma coisa que chamar Sarney de Pedro Simon!

Tem dó!

Quinta-feira, Julho 09, 2009

Piedade 1965

Os novos moradores de Piedade se mudaram para cá há 10, 20 anos. Antigamente tinham casa por aqui os recifenses que veraneavam há 40, 50 anos. Hoje quando digo aos neófitos que o mar antigamente já batia nos terrenos a beira mar, alguns desconfiam outros, definitivamente, não acreditam.

Pois hoje resolvi dar a eles uma visão de como era a praia de Piedade. Contei com o apoio da Eneida que foi buscar fotos no fundo do baú.

Nesta abaixo está a família de Roberto da Rosa Borges logo que para cá vieram veranear em 1965, por aí. Já se vê a casa do Seu Manuel ao fundo à esquerda, um caminhozinho de terra, hoje uma rua e à direita a casa que hoje é acampamento das obras de proteção do mar. Ao fundo o telhado da casa que hoje é o Edifício Roberto da Rosa Borges.

Nesta outra estão Eneida e sua babá, Maria. A foto foi tirada no sentido de Boa Viagem. Lá no fundo os coqueiros são da casa que deu lugar ao Golden Beach.

Pode-se ver que a maré já batia nos terrenos que já eram protegidos com rochas. E ainda não era a maré no limite de cheia. Quando totalmente cheia a maré batia onde estão Eneida e Maria.

Hoje nossa praia passa por um período meio conturbado.

Mas boto fé que voltará a ser tão aprazível como era.

Quarta-feira, Julho 08, 2009

Gente do sul, gramática e sociolingüística!


Anos atrás recebi uma aula de meu primo Fernando Oliveira. Repreendeu-me por dizer “em Recife” e não “no Recife” como manda a gramática. Dizia ele que todo topônimo originário de um acidente geográfico é antecedido pelo artigo definido.

Citou alguns exemplos como na Bahia e no Rio de Janeiro e por aí vai. Convenceu-me “ma non troppo”. Citou inclusive uma frase de seu pai, meu tio, Waldemar de Oliveira: “Isso de dizer em Recife é ignorância de gente do sul que não sabe muito de tais coisas”.

Desde então, gente do sudeste que sou, tento usar “no Recife” em homenagem a eles.

Agora que já estou me acostumando, a coluna “com todas as letras” do Laércio Lutibergue no Jornal do Commercio de hoje diz com todas as letras que essa regra gramatical é uma lenda, nunca existiu. E insiste não existe!

Tanto faz dizer “em Recife” ou “no Recife” pela lei gramatical. O que existe diz respeito à sociolingüística que envolve história e tradição de um povo. As maiores defesas do artigo não foram feitas por gramáticos, mas pelos intelectuais da cidade como, por exemplo, meu tio Waldemar e o sociólogo Gilberto Freyre.

Como gente do sudeste, e não do sul, me senti redimido.

Mas vou tentar continuar usando “no Recife” em homenagem às tradições e aos altos coqueiros do vasto estendal!

Sábado, Julho 04, 2009

Vigarices miúdas

As grandes vigarices em países sérios dão até 150 anos de cadeia, caso do Mr. Bernard Maddof que deu um tombo de US$ 50 bilhões em espertalhões de alto calibre. Foi o caso também do escândalo das avestruzes no Brasil vigarice exclusiva para explorar espertos miúdos, mas desenvolvido sobre a mesma base: o esquema Ponzi.

Em 26 de dezembro de 1919, Charles Ponzi, um corretor italiano radicado nos Estados Unidos, abriu a companhia The Securities Exchange Company, prometendo taxas de retorno de 50% em 45 dias ou 100% em 90 dias através de cupons-resposta internacionais.Sua idéia mostrou-se inviável logo no início. Assim, Ponzi começou a pagar os retornos dos cupons em vencimento com o dinheiro dos novos investidores. Um dia a casa cai, e caiu. O que deu origem à fraude que atualmente leva seu nome.

Mas e as vigarices miúdas de companhias sólidas e bem avaliadas do pequeno comércio, do dia a dia? A TAM, por exemplo. Como justificar a pequena marotagem que faz com seus clientes?

Explico.

Comprei pela internet uma passagem ida e volta Recife/ São Paulo pelo preço x. Precisei adiar uma das pernas, o retorno, por uma semana. Tive o cuidado de entrar no site e verificar se os preços ainda eram os mesmos. Eram. Liguei para o atendimento da TAM.

A atendente fez as contas e disse que eu teria que pagar uma taxa de remarcação. Tudo bem, ninguém mandou eu não me programar direito. Consultou os preços e disse que eu também teria de pagar a diferença de tarifa da nova data. Disse-lhe que eu já havia consultado pelo site e os preços eram os mesmos.

Explicou-me que como eu estava remarcando somente o retorno o preço era só de um trecho, mais caro do que o mesmo trecho no bilhete de ida e volta. Diante da miúda esperteza perguntei: mas meu bilhete deixou, por acaso, de ser ida e volta?

“É o procedimento. Temos que cancelar o retorno e emitir novo bilhete”. Perguntei: e se eu remarcar tanto a ida como a volta? Disse-me que daí eu pagaria duas taxas de remarcação e os preços seriam mantidos.

Como não gosto de discutir com call center, desisti. O miúdo não valia a encheção de saco. Mas ficou o ranço.

Da próxima vez vou pensar duas vezes antes de optar pela TAM, a miúda.

Sexta-feira, Julho 03, 2009

Bagwall e a escada do Seu Manuel!

Aceitei a indicação do "mikaenzo" que fez um comentário nos Meusditos e fui atrás da Revista de Gestão Costeira Integrada.

Não vou transcrever o texto que apesar de técnico é bastante compreensível. Se você está interessado vai atrás. O endereço é www.aprh.pt/rgci , entre na revista 8 (2) e procure pelo texto acima.

Publico as fotos que já dão uma perfeita idéia do que ele expõe em intervenções nas praias de Ponta Verde em Maceió e Praia de Japaratinga em Japaratinga, ambas em Alagoas.








O mais engraçado é que em 1980 um vizinho aqui de lado, Seu Manuel, um construtor português, utilizou técnica semelhante para proteger sua casa que por isso nunca foi ameaçada por marés cheias. Chamávamos de escada por que na realidade era uma escada.

Com o passar do tempo a areia (engorda da praia) encobriu-a totalmente. Insisto a maré nunca bateu no muro de Seu Manuel. Vendeu sua casa para uma construtora que chegou a anunciar o lançamento de um prédio que nunca foi lançado. Abandonaram o terreno e restos da demolição da casa.

Abaixo uma foto da época com amigos tomando uma cervejinha.



Ao fundo a famosa escada, prova de que o português não era tão português assim!