Meusditos

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Nome: meusditos
Local: Varanda em Pernambuco

Sexta-feira, Dezembro 25, 2009

Estamos na internet, ó pá!

A Casa dos Frios é uma tradicional mercearia de bom padrão do Recife. Fundada em 1957 é tradicional e famosa por seu Bolo de Rolo e, nesta época, por suas cestas de natal.

Pertence a alguém da família Dias, descendentes próximos de portugueses, uma das líderes da gastronomia local, a começar pelo Restaurante Leite o mais antigo, mais famoso e melhor restaurante do Recife.

Feito os elogios vamos aos fatos.

Resolvi presentear um médico com uma cesta de natal da Casa dos Frios. Como não costumo sair para fazer compras procurei por seu site na internet. Lá estava ele.

Destacava-se na página inicial uma chamada para as cestas de natal! Estou com sorte, pensei. Chamei as opções apresentadas, escolhi uma e fui ao pedido. Apresentaram-se, então, as formas de pagamento. Optei por cartão de crédito.

Confirmado o pedido, ele não foi finalizado.

Entrei em contato com a loja e a gentil atendente disse que sim, o pedido estava feito, mas o pagamento deveria ser feito na loja para passar o cartão!

Ai, Jesus!

De novo?*

Os bons mágicos são um espetáculo de serem vistos. Sempre com casacas bem cortadas, cartolas brilhando e belas donzelas de pernocas de fora lhes auxiliando. Conheci um que levava as platéias ao delírio abismadas com seu poder de ilusionismo.

Sempre no final de sua apresentação tirava da cartola, pombos, lenços multicoloridos, coelho e, certa vez, até uma pequena jaguatirica sob aplausos e “oohhs!” de admiração. Com o passar do tempo seus truques repetitivos, conhecidos, foram se tornando mais pobres, sem graça, bizarros.

Lembram pessoas que se pensam espertas e repetem sempre suas mesmas espertezas como se o mundo ao seu redor fosse um mundo de aparvalhados e ele um gênio iluminado. Repetem-se como se ninguém notasse seus velhos artifícios, suas surradas farsas e desajeitados maneirismos.

Como o velho mágico, não se dão conta de que quando a esperteza não é suficientemente nova e esperta para dissimular o engodo torna-se tão somente melancólica e patética.

*ilustrando conversa com meu amigo Ricardo Barbosa

Segunda-feira, Dezembro 07, 2009

O peru e a perua, ou vice versa, sei lá.

O Jornal do Commercio de Pernambuco me informa razoavelmente, mas me diverte à grande.

Na capa de domingo expõe a foto acima e para não deixar dúvidas diz que o peru é a da direita e as roupas são a da esquerda. Para garantir que nós leitores não nos confundiríamos.

Já no anúncio do portal de sua colunista social, o social1, não nomeia as pessoas fotografadas a não ser a chefa, a Jungmann.

O JC é mestre em transformar pessoas em abajures, em figurações, cenários. As legendas de suas fotos de pessoas raramente identificam os personagens fotografados. Quando muito uma entre tantas.

Confira, principalmente, em entregas de prêmios. Aparecem 5 ou 6 pessoas por foto e nada na legenda que as identifique.

Nesta foto do site dos colunetes repare na pose da primeira a direita. Veja a mãozinha e o braço em pose para a posteridade. Imaginava que enfim chegara seu dia de sair dos bastidores, mas qual, virou cenário.

A Jungman inclusive só se reconhece por estar à frente e ter em sua coluna no jornal uma pequena foto sua. Aliás, a pequena em 3 por 4 a favorece.

O apagão do DEM

Entre as várias explicações do apagão da Dilma uma me chamou a atenção: faltou investimento para criar sistemas redundantes que possibilitassem o “ilhamento” do setor que apresentasse falhas, isolando-o da rede evitando assim que o problema se alastrasse para todo o sistema.

Na ocasião, a oposição, leia-se DEM e PSDB, deitou e rolou tentando tirar vantagem da má gerência do governo. Fez o que todos fariam e que o PT cansou de fazer durante toda sua vida de oposição.

Esse “ilhamento” me veio à cabeça pela catatônica incompetência do tal de DEM frente ao escandaloso caso “Arruda”. Seu silêncio deu lugar ao mensalão do DEM. Ao invés de partirem para a ofensiva com todo o vigor, se é que ainda tem algum, deixaram-se enredar por competentes petistas que logo apelidaram uma roubalheira provincial em roubalheira nacional.

Reagissem prontamente ilhando o problema no governo de Brasília e não teriam agora de se ver par a par com o mensalão do PT, este sim nacional e de responsabilidade dos cabeças do partido.

Aliás, a incompetência do DEM vem desde que teve que se assumir oposição. Primeiro relegaram sua sigla, o PFL, adotando uma quase piada o DEM. Entregaram a liderança aos jovens do partido que de líderes tem, no máximo, o sobrenome.

Cansaram de perder eleições ganhas por, sempre e grosseiramente, desfazerem e menosprezarem seus adversários. Revelam-se, agora, incapazes de responder aos desafios mais comezinhos da política.

Com vergonha do passado e incompetência no presente, é certo, o futuro não lhes sorrirá.

Quarta-feira, Dezembro 02, 2009

... e sem intermediários, amém.

- Meu filho, vem cá!

- Sim, pai.

- Meu filho, temos que dar um freio de arrumação nessa desfaçatez. Não bastassem os Edir Macedo da vida e aquele casal de picaretas da Renascer e agora até distribuição de propina agradecem a mim?

- Como assim pai?

- Olha lá para baixo. Tá vendo? Os caras rezam e agradecem a Deus a benção que lhes concedeu o propineiro.

- É pai, a situação tá difícil, a cara de pau é cada vez mais dura. Sem considerar os padres pedófilos, pai. Parece que virou moda. Nem em Sodoma, pai! É quase uma situação impossível de resolver

- Não tem um dos nossos aí que resolve as causas perdidas?

- Tem, pai. É o Judas.

- O que? Aquele canalha dos trinta dinheiros? Era só o que me faltava!

- Não, pai, não é o Iscariotes, é o outro, o Tadeu.

- Ah, sei. Aquele que dizem que é seu primo. Chama ele aqui, vamos resolver isso de uma vez por todas!

- Judaaaas, o pai tá chamando!

- Ô Judas veja aí o que você pode fazer. As criaturas tão cada vez piores. É bispo prá cá, pastor prá lá, achaque, pedofilia, isso tem que acabar!

- Desculpe a ousadia senhor, mas a culpa foi sua. Começou mandando o filho para representá-lo. Depois ele chamou o Pedro e disse que ele era pedra e sobre ele ia construir sua igreja. Mais um representante. Devia ter mandado só o espírito. Fazia umas graças e todos o temeriam e reverenciariam sem intermediários.

- Mas como difundir minha palavra, meus valores?

- Senhor, bastava uns poucos mandamentos e muito amor ao próximo.

- É pode ser, mas agora o que fazemos?

- Temos que ser radicais. Vamos acabar com os intermediários. Todos! Pedros, padres, pastores , e até mesmo nós mesmos, os santos. Todos. Quem quiser falar com Deus que o faça diretamente. Basta seguir a canção daquele Gilberto Gil.

- Acho que você tem razão. Esse negócio de intermediário acaba criando dificuldades para vender facilidades. Incrível mas é esse mesmo o esquema da corrupção lá por baixo. Como se para conseguir uma graça tivesse que pagar novena a santo ou dízimo para picareta!

- Pai, posso pedir só um favorzinho?

- Diga, meu filho.

- Preserve os pedidos à Nossa Senhora de Piedade!

- Por quê?

- Pai, ela é protetora do escrivinhador dos “Meusditos”, blog que muito aprecio!

- Tai! Já vem você com privilégios! Quer começar tudo de novo, ô guri?

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

O poste balançou. E agora?

Se você não foi um militante clandestino da esquerda revolucionária no tempo da ditadura e nem é gaúcho certamente a Dilma Roussef para você é politicamente um poste. Dela tomou conhecimento quando Lula a nomeou Ministra de Minas e Energia. Se é que se deu conta.

Pouco se sabe dela além de ser uma gestora durona, grosseira, mesmo, com subordinados e pares, e com um currículo de mestranda de economia enganoso.

Seu destaque como Ministra de Minas foi o desenvolvimento de um novo modelo de setor elétrico brasileiro, que busca reduzir preço ao consumidor, através de contratos mais longos para fornecimento entre Geradoras e Distribuidores. Parece que não foi uma boa idéia.

Dizem os mercadólogos que “sempre existe um produto mais barato e.... pior! Parece que serviu como luva para a ministra. O recente apagão que o confirme.

Hoje Ministra da Casa Civil foi elevada pelo Lula à pré-candidata à presidência da república. É voz corrente que com sua altíssima popularidade Lula elege até um poste para seu sucessor. E assim infere-se que o poste da vez é a Dilma.

De repente acontece um apagão. A bem da verdade um duplo apagão: de energia e da Dilma. Blindada, foi escondida pelo governo que lançou às feras o atual Ministro de Energia, Lobão, para dar as devidas explicações do ocorrido. Como não é do ramo saiu-se muito mal a ponto de Lula ter de interceder cobrando explicações críveis.

È interessante ver como o desespero embota o raciocínio. Para não correr o risco de ser comparado com o apagão do governo de FHC, neura diuturna dos governistas e do próprio Lula, começaram a complicar o simples. Ao invés de admitirem logo que houve um acidente, mudou-se o nome para blecaute como se o país às escuras se importasse com o nome da escuridão.

De repente numa entrevista surge Dilma. Perguntada, fora do script, pelo apagão perdeu a pouca cintura que tem e dirigiu-se com prepotência à repórter chamando-a de “minha filha” e dando aula de obviedades. Foi o primeiro teste de stress público da talvez futura candidata.

Saiu-se pessimamente e ficou a impressão que com esse andar da carruagem será presa fácil para as agressivas ciladas de uma campanha política.

O poste balançou. E agora? Segura, Lula.

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

Por dois aminoácidos!

Estudo de cientistas da Universidade da Califórnia indica que dois aminoácidos da proteína do gene FOXP2 podem ser responsáveis pela fala do ser humano. A diferença dessas moléculas é a única no sistema da faculdade de falar em comparação com o dos chipanzés.

Fiquei matutando como só dois aminoácidos podem mudar tanto a evolução das espécies. Veja, por exemplo, a primeira dama. Ela não fala e por isso pode muito bem ser, no futuro, uma ancestral do “homo primusdamus”. Este ser evoluiu para trocar a fala , por exemplo, por análise de expressões faciais.

Dela, primeira dama, só conheço três: séria, sorrindo e rindo. Mas a nova espécie, no futuro, pode desenvolver uma sensibilidade tal que reconheça uma miríade de expressões entre as pontas daquelas que reconheci e por meio delas se comunique.

Pense também nessa juventude twiteira, orkuteira e tecladista em geral. Desenvolvem uma linguagem absolutamente nova que substitui não só a fala como o vocabulário atual, suprimindo sempre que possível as vogais. No futuro aqueles dois aminoácidos serão, para eles, completamente dispensáveis. Poderíamos chamar a nova espécie de “homo tecladus”. O mal dessa espécie é que só se comunicam entre si em suas subespécies tornando-se autistas tribais.

Eu mesmo há muito que tenho dificuldade de escrever a mão. Coisa mais esquisita. Quando cursava o primário aprendi caligrafia, imaginem. Quanto tempo jogado fora. Hoje se não leio o que escrevo imediatamente, alguns minutos mais tarde já não consigo entender meus garranchos.

E no meu caso a transferência genética foi de primeira geração: a escrita dos meus filhos tem uma caligrafia própria, a ogrática, um neologismo relativo a ogro. Principalmente o caçula que é médico classe sobejamente conhecida por seus hieróglifos.

Finalizando, lembre-se de, na próxima vez que encontrar um chipanzé, reverenciá-lo. Afinal para lhe desejar “bom dia” faltam-lhe apenas dois aminoácidos. Tente perscrutar suas feições e retribua-lhe com um simpático sorriso. Não esqueça que ele é primo da primeira dama.

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Porque não um apagão?

Esse pessoal da foto ao lado se reuniu três dias consecutivos para resolver um sério problema: como afixar uma escada de madeira de 14 degraus que dá acesso da rua à praia.

Parece brincadeira, mas não é.

São sete funcionários graduados da prefeitura de Jaboatão e de seu fornecedor que discutiram três dias este assunto. No quarto, finalmente, instalaram a escada.

Perguntei-me o que aconteceria se fosse uma ponte. Quantos dias e quantos aspones para decidir?

Encontrei hoje a resposta na manchete de primeira página do Jornal do Commercio de Pernambuco:

“Tem um metrô. E a prefeitura não viu.”

O projeto de duplicação do viaduto Capitão Temudo que une o Centro à Zona Sul, em execução pela prefeitura de Recife, é de 1976 quando ainda não existia metrô na cidade!



O projeto prevê oito pilares nas proximidades dos trilhos do metrô, dois deles entre as linhas de ferro. Para não correrem o sério risco de eletrocutarem seus funcionários os engenheiros da prefeitura teriam de pô-los para trabalhar da meia noite às 3,30 horas levando o custo da obra às alturas.

Outra solução seria paralisar todo o sistema acarretando o corte de transporte para 200 mil pessoas.

Optaram, não sem várias reuniões antes, por investir mais R$ 3 milhões e refazer o projeto adaptando-o ao terrível e real inconveniente de ter um metrô no seu caminho!

Agora fico me perguntando: com esse nível de administradores públicos, projetos e obras, porque não um bom e geral apagão no Brasil? Ontem tive a resposta.

Ainda bem que a escadinha da minha praia já está pronta!

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Um homem que sabe o que não quer

Esse sugestivo título chamou minha atenção quando lia o jornal Valor de ontem. A matéria traça um ligeiro perfil de Jayme Garfinkel dono de uma das maiores seguradoras do Brasil, a Porto Seguro.

Considerado um “cabeça dura” foi capaz de descartar associação com o Bradesco e firmar uma com o Itaú como queria, mantendo o controle da companhia.

Aos 62 anos resolveu há tempos fazer uma lista de coisas que não mais faria. Desde uma prosaica recusa de comer risotos e kiwi até frequentar coquetéis. Fora da lista só coisas e pessoas que lhe dão satisfação.

Quantas vezes não fizemos listas parecidas até começarem a surgir exceções que por fim punham a lista a perder? Eu mesmo fiz várias tentativas.

Até que um dia acordei com o saco realmente cheio e radicalizei: não faria mais concessões para nada, literalmente nada. Se não estivesse a fim de fazer alguma coisa não faria e fim.

Comecei com os tais compromissos sociais. Eliminei-os de minha vida. Se for a um evento social não será por compromisso, mas porque me deu vontade de ir.

Sempre aparece alguém para lhe censurar: puxa o cara é tão teu amigo você não pode deixar de ir. Acontece que o cara é meu amigo, mas os amigos dele não são ou o lugar que ele escolheu para lhe convidar é um pardieiro ou escolheu um horário que não bate com o seu.

O melhor, por princípio, é dizer que cortou compromissos sociais, que não lhe levem a mal, mas é assim que é. E agüente o tranco. Normalmente não lhe convidam mais o que acaba lhe poupando o desgaste de não ir.

“Reunião de negócios” normalmente é nome pomposo para papo de botequim fora de lugar. Começa com um “precisamos conversar, vamos marcar uma reunião”. Sugiro que de imediato pergunte o assunto, qual o negócio e onde você entra nele.

A resposta, via de regra, é “tive uma idéia e acho que deveríamos conversar a respeito”. Sugiro que tope e comece a conversa imediatamente por telefone mesmo. “Qual a idéia?”. Perdi a conta das vezes de que esse simples começo encerrou a futura reunião.

Não foi um aprendizado fácil porque todos nós estamos a fim de um bom negócio e portanto abertos a ouvir propostas. O cara “sem negócios” cria em sua cabeça algumas hipóteses e para fingir que está trabalhando lhe envolve na trama.

Já passei horas com fulanos que não paravam de falar sobre idéias que já tiveram na vida, repetitivas, chatas até o dia que você não agüenta mais e barra o papo no nascedouro.

Outra concessão que não faço é sair do meu ócio porque “temos que ir ver o show do fulano, não podemos perder.” Se não estiver com vontade perco e não explico.

Aliás, explicar minha vida e opções é outra medida que está na minha lista de cortados. Dei-me conta que não devo explicações a ninguém, mas a ninguém mesmo.

O que tenho pela maioria das pessoas é consideração. Se alguma atitude minha for interferir na vida de outra que considero aí abro diálogo com muito prazer.

O que viabilizou a lista do que não quero é que nunca tive o dinheiro nem o sucesso do Garfinkel. Isso facilitou muito as coisas.